O plano de Actividades é o documento que identifica todas as actividades onde o Clube esteja envolvido durante o ano programado.
Neste artigo abordo as questões mais importantes relacionadas com a elaboração de um calendário de actividades para um clube desportivo, de modo a que o mesmo sirva de fio condutor à tarefa real que os clubes enfrentam anualmente.
Periodicidade
Por norma o Plano de Actividades é anual, podendo, para projectos concretos ser plurianual.
Por exemplo, em eventos desportivos cuja preparação e implementação cruze 2 ou mais anos, o Plano de Actividades poderá ser construído para todo o evento (Jogos Olímpicos, Jogos da Lusofonia, …).
Também em projectos desportivo específicos poderá existir um Plano de Actividades plurianual, por exemplo, para o desenvolvimento de um determinado sector de formação de um clube, cujas actividades cruzem 2 ou mais anos.
Não obstante, aconselha-se que, para cada um destes projectos do clube seja produzido um Plano de Actividades específico, devendo posteriormente ser transpostas para o Plano de Actividades anual do clube, as actividades desse plano específico que se desenvolvem no ano em causa.
Assim, será facilitada a gestão das actividades do clube, o acompanhamento do orçamento e a produção dos necessários relatórios (no final do ano).
Actividades
Neste Plano podem identificar-se actividades:
- Organizadas pelo Clube
- Desportivas
- Globais (Ex. 1/2 maratona popular)
- De uma modalidade apenas (Ex. Torneio de Andebol)
- Formativas
- Para atletas (Ex. Formação de Regras do Jogo)
- Para Treinadores (Ex. Reciclagem Associativa de Treinadores)
- Para Árbitros (Ex. Reciclagem de Arbitragem)
- Para pais e filhos (Ex. Benefícios da prática desportiva em idades jovens)
- Socioculturais
- Periódicas (Ex. Festa Anual do Clube)
- Ocasionais (Ex. Celebração da vitória no campeonato)
- De carácter organizativo (Ex. Reuniões de Direcção, Assembleias de Sócios, Reuniões com Encarregados de Educação, …)
- Desportivas
- Onde o clube participe
- Desportivas
- Globais
- De uma modalidade apenas
- Formativas
- Para atletas
- Para Treinadores
- Para Árbitros
- Para pais e filhos
- Socioculturais
- De carácter Organizativo
- Desportivas
Princípios a observar na produção do Plano
No momento em que o clube elabora um plano de actividades para os seus sócios deverá ser tido em conta que o mesmo faz parte de uma estrutura desportiva e que deve incluir nesse plano actividades destinadas aos sócios que tem no clube, e não aos que gostaria de ter.
A organização do desporto em Portugal faz-se de forma aproximadamente semelhante nas várias modalidades desportivas.
Sendo um estado intervencionista, estão previstas na actual Lei 5/2007, de 16 de Janeiro – Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, as grandes orientações e forma de organização do desporto no nosso país.
Os atletas integram clubes, estes organizam-se em Associações que por sua vez se filiam na Federação Desportiva Nacional (FDN) correspondente.
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Assim, a elaboração de um Plano de Actividades para um clube merece sempre 2 análises:
- Do exterior para o interior, de cima para baixo;
- Do interior para o exterior, de baixo para cima;
Do exterior para o interior, de cima para baixo
Devemos ter em conta as actividades promovidas pela FDN, em seguida pela Associação e depois, com base nesses dados, desenhar as nossas actividades.
É necessário ter em conta as datas das provas nacionais federativas, porque:
- Se dispomos de atletas que possam ser seleccionados para participar nessas provas, toda a programação de treinos deverá ter em conta esse facto;
- Para além da participação dos atletas deverá ser tido em conta o envolvimento das pessoas por trás dos atletas (pais, familiares, dirigentes, etc., …)
- O treinador poderá ser, para além de treinador do seu clube, treinador da Associações, Árbitro, dirigente. A acumulação de cargos e funções é uma realidade menos boa no desporto a que se deve procurar fugir, mas, existindo, deverá ser tida em conta;
- Se promovermos uma actividade para uma data coincidente com uma prova nacional, poderá ocorrer que o público-alvo dessa actividade tenha optado pela participação nessa prova;
Se abordarmos os eventos Associativos chegaremos a conclusões semelhantes no que toca à escolha das datas.
Em termos de exterior, deverão ser tidas em conta os acontecimentos sociais que possam condicionar a disponibilidade e envolvimento das pessoas.
Como exemplo, de fácil entendimento, deixo:
- Férias escolares;
- Períodos de avaliação escolar;
- Feriados;
- Datas festivas – Natal, Carnaval, Páscoa.
- Estações do Ano;
Do interior para o exterior, de baixo para cima
Após analisada a influência externa e superior (em termos organizativos), é tempo de olharmos para dentro do nosso clube e determinar quais as actividades a implementar que possam ser uma mais-valia para a actividade formativa ou competitiva que se pretende levar a cabo. Para isso devem ser tidos em conta alguns pressupostos:
As actividades onde o clube participa devem ser seleccionadas
Mesmo tendo em conta que foi considerado o calendário Nacional e o calendário Associativo, pode resultar ainda assim, que alguns dos atletas não tenham âmbito de participação neste conjunto de actividades.
Sabendo nós que as actividades são um meio de formação, é essencial proporcionar actividades para todos.
No início da sua formação desportiva, o atleta terá menos necessidade de participação em actividades/competições porquanto se encontra em fase de aquisição de conhecimentos. À medida que vai evoluindo tecnicamente dentro da modalidade terá maior necessidade de colocar os seus conhecimentos à prova em participação, competição ou formação avançada.
Por outro lado, ao proporcionar actividades a atletas iniciados, deve ter-se em consideração que a menor ou maior qualidade pedagógica e formativa das mesmas estará a condicionar a maior ou menor evolução da aprendizagem dos atletas.
Por esse motivo, a escolha das actividades deverá ser feita em função do grupo de trabalho e não devem ser escolhidas actividades apenas para cumprir com os calendários federativos ou associativos se o grupo de atletas não beneficiar com a participação nas mesmas.
Os clubes devem organizar actividades!
Não é bom para a estrutura de um clube que não se organizem actividades.
Ao organizar uma actividade desportiva por exemplo, promove-se a detecção de talentos ou o desenvolvimento de qualidades já existentes nesse âmbito.
Cada vez mais, existe a necessidade de dotar os clubes de conhecimentos em áreas tão diversificadas de conhecimento quanto possível.
O relacionamento dos clubes com outros agentes sociais, económicos ou culturais, por intermédio dos seus líderes (Treinadores, Dirigentes, …), é cada vez mais amplo, útil e pertinente.
Sendo as actividades um meio de excelência na promoção do desporto (e da sua modalidade em concreto), é necessário que os dirigentes tenham conhecimentos organizativos adequados para planear, organizar e implementar actividades.
A organização de actividades desempenha um papel importante:
- No envolvimento dos familiares dos atletas na modalidade;
- Na aproximação dos Treinadores aos familiares dos atletas;
- Na aproximação dos agentes de outras modalidades à nossa;
- Na aproximação dos dirigentes do clube à modalidade;
Estrutura do Plano de Actividades
O plano de Actividades deve ter referência aos seguintes elementos:
Resumo
No resumo do Plano de Actividades, a direcção do clube poderá fazer uma pequena apresentação do clube (o seu organigrama, o seu historial e resultados anteriores, nº de sócios, secções e modalidades propostas, treinadores, parceiros, patrocinadores, …).
Esta apresentação deve ser breve e objectiva, contendo as grandes linhas orientadoras do clube, as políticas a adoptar, as metas propostas e as grandes opções estratégicas, contextualizadas por uma análise do envolvente, das políticas desportivas municipais que afectam o clube e por uma análise demográfica da região.
Sendo um documento introdutório, e por se encontrar no início do Plano, será com certeza o texto mais lido e aquele que pode despertar o interesse para uma leitura mais atenta por parte dos “mais importantes” (autarquias, políticos, patrocinadores, dirigentes desportivos, …)
Metas e Objectivos
A definição de metas deve ser feita em conjunto com os agentes que intervêm directamente na implementação das actividades do clube, sejam desportivas, de formação ou culturais.
Para dar início à elaboração de um Plano de Actividades deve estar munido dos planos desportivos de cada modalidade do seu clube e ainda dos planos de intenções de cada secção não desportiva.
A identificação dos destinatários das actividades a incluir no Plano de Actividades é a solução para um Plano bem elaborado, por isso deve ser feita uma caracterização muito cuidada do público-alvo das mesmas.
É de acordo com esses objectivos e planos de intenções que deve ser feita a escolha das actividades.
Reforço a ideia de que, a definição de objectivos desportivos para cada modalidade do clube, deve ser feita com uma forte intervenção dos treinadores e responsáveis técnicos do mesmo.
Deste modo estamos a garantir que existe uma adequada correspondência dos objectivos ao grupo de trabalho, ou que, pelo menos essa questão foi pensada.
Não devemos esquecer que actualmente o desporto se encontra quase que unanimemente dividido em duas grandes áreas: Desporto de Competição e Desporto de Recreação. Os objectivos para ambas as áreas devem ser tratados separadamente.
Paralelamente existe a necessidade de definir outro tipo de objectivos que podem ser sintetizados como não desportivos.
O clube pode ter secções culturais ou de formação e nessas os objectivos são normalmente diferentes dos pretendidos a nível desportivo.
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Opções estratégicas
Frequentemente o Plano Estratégico do clube, não sendo um segredo, não é divulgado ao público em geral.
O Calendário de Actividades é um documento onde se podem incluir as principais opções estratégicas que contribuem para que se alcancem as metas, objectivos gerais e objectivos específicos pretendidos.
Deve usar-se uma linguagem simples e directa com informação objectiva.
Reforço que o Plano de Actividades, sendo um documento técnico, deve identificar soluções e não prender-se em linguagem confusa e que necessite de interpretação.
Identificadas as metas a alcançar, devem propor-se com objectividade as opções estratégicas para as alcançar, através do cumprimento cumulativo dos vários objectivos gerais e específicos listados.
Listagem de Actividades
A listagem de actividades deve ser feita com recurso a uma tabela com campos comuns, permitindo uma leitura fácil e uniforme das mesmas.
Para mais fácil leitura e distribuição, as actividades devem ser organizadas:
- Por datas – Listagem Geral
- Por modalidade
- Por secção
- Por objectivo
As vantagens deste procedimento são inúmeras tanto no campo da divulgação como no campo dos custos.
Um calendário de actividades pode ser algo extenso e a sua distribuição pelos sócios poderá resultar onerosa.
Por exemplo, na reunião de pais da turma de formação de andebol (crianças de 7 a 9 anos), é aconselhável distribuir o calendário com as actividades onde os jovens desportistas estejam envolvidos de modo a focar a atenção dos mesmos para a apresentação e discussão das datas.
Por experiência, um excesso de actividades provoca a dispersão, resulta em troca de datas e confusão por parte dos encarregados educação.
Fichas Técnicas de Actividade
A Ficha Técnica de Actividade é um documento essencial para a gestão de cada actividade desde o seu desenho, até ao momento de produção do seu relatório.
De modo a provocar o seu envolvimento, deve ser pedido aos treinadores e chefes de secção que proponham a implementação de actividades com uso deste documento.
Resultará que uma grande parte das Fichas será preenchida parcialmente porque este documento contém informação que deve provir de vários agentes.
No entanto, a informação técnica e que pode indicar uma preparação (ou não) do corpo técnico para implementação da actividade, constará desse documento e pode ser muito útil no momento de decidir se a mesma se inclui no Plano ou não.
Passos a tomar para a elaboração do Plano de Actividades
Os passos que proponho de seguida deverão ser adaptados à dimensão e estrutura organizativa do clube. A proposta apresentada destina-se a um clube de dimensão média. O excesso de pormenorização nos procedimentos para elaboração do plano de actividades poderá tornar o processo demasiado demorado e pouco flexível.
Provavelmente ocorrerá que as propostas dos treinadores e dos chefes de secção serão em número elevado para a capacidade de organização existente no clube. Se assim for significa que existe no clube um grupo de pessoas motivadas e determinadas em dar vida ao seu clube. Aproveite-se este dinamismo para exigir que trabalhem com qualidade.
No entanto, sabemos que não é possível implementar todas as actividades propostas pelos vários agentes.
Para fazer uma escolha correcta das actividades sugiro:
- Defina a equipa que vai responsável pela coordenação do Plano de Actividades (esta equipa não deve ser demasiado grande mas possuir capacidades multi-disciplinares);
- Forneça a essa equipa os planos de actividades de anos anteriores (fundamental para estarem informados das opções de anos anteriores e analisarem a continuidade das grandes opções estratégicas, os erros cometidos, os casos de sucesso, …);
- Analise as Fichas Técnicas de Actividade (entregues pelos técnicos e chefes de secção)
- As Fichas que não estão totalmente preenchidas ou apresentam incongruências ao nível técnico poderão facilmente ser rejeitadas.
- Nas mesmas fichas está identificado um conjunto de despesas e receitas inerentes à actividade. Fixe um rácio de rentabilidade para cada actividade. Com base nesse rácio será fácil rejeitar aquelas actividades que estejam abaixo do valor fixado.
- As Actividades propostas devem permitir a progressão ao longo do ano. Se a organização das actividades propostas não respeitar uma progressão será fácil rejeitá-las.
- As fichas aprovadas devem ser reunidas e introduzidas num documento único feito com rigor, detalhe e numa base realista, onde se deverão considerar vários factores:
- Datas – as actividades devem ser espaçadas no tempo para que o clube tenha actividade ao longo do ano. A concentração excessiva absorve demasiados recursos e resulta normalmente em fracasso por cansaço dos intervenientes. Tenha em atenção as datas festivas, férias escolares e grandes eventos desportivos televisionados;
- Progressão – para além de dever existir uma progressão dentro de cada modalidade, deve também existir uma progressão em todas as actividades do Plano ao longo do ano;
- Adequação às metas estabelecidas – uma actividade com valor que não contribua para alcançar as metas do clube não deve ser considerada;
- Disponibilidade de recursos para implementação da actividade – financeiros, humanos e materiais;
Agentes intervenientes na elaboração do Calendário de Actividades
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A análise do gráfico anterior não deixa margem para dúvida da complexidade que existe no desenho e programação de actividades porque estas são cada vez mais um resultado da intervenção de um variado conjunto de agentes.
A escolha das actividades do clube deverá ter em conta estes agentes e a sua maior ou menor contribuição para o sucesso das mesmas.




